Edmilson Siqueira
Nesta
quarta-feira, 25 de junho, Zezé eu estamos embarcando pras “Oropas”. Ela fará
uma viagem que planeja há muito, vai conhecer Findhorn, uma comunidade
autossustentável na Escócia e rever sua amada Londres, com direito a visitas a
Totnes e ao Schumacher College (nada a ver com o piloto campeão). Ficará 17
dias nesse périplo e depois vai se encontrar comigo em Paris, onde estarei
fazendo o enorme sacrifício de esperá-la por todo esse tempo...
Mas estou
tentando amenizar o sacrifício: na bagagem levo uma lista de 19 programas que
recolhi na rede entre restaurantes bons e baratos, passeios curiosos longe do
turismo tradicional, uma boa vasculhada em toda Montmartre (nas outras viagens
faltou conhecer melhor o velho e boêmio bairro), algumas lojas que podem render
boas compras sem gastar muito e jazz aos cântaros – nos bares, nas praças e
shows: há pelo menos um festival muito bom e gratuito na lista, o La Défense
Jazz Festival 2014, com shows três dias à noite e cinco dias às 12h. Não devo ir a
todos, mas na maioria devo estar lá.
Comprei um
notebook, pequeno, para levar na viagem. Ele ficará no hotel e, quando as aventuras
parisienses diárias e noturnas terminarem, tentarei registrar em texto e imagens
o que vi, vivi e senti. E, em registrando, postarei neste blog para deleite de
meus parcos leitores. Não sei se vai funcionar, a vontade de conhecer e rever muita coisa é
grande e posso nem ter forças para, depois de um dia típico, sentar-me à frente
da telinha brilhante para cometer uma croniqueta.
A amigos
tenho dito que esta será a última vez que verei Paris. Como já passei dos 60, alguns
imaginam que não terei tempo de voltar um dia, que partirei antes para o
infinito do qual não voltamos mais. Digo que o motivo é mais prosaico:
aposentado, vivendo de uma renda mixuruca que a previdência me paga depois de
35 anos de contribuição e mais de 40 de trabalho, vai ser difícil juntar
economias que bastem para atravessar o Atlântico e pousar na Europa. A
última viagem a Paris foi em 2002, por isso acho que esta é a última, mas faço uma
ressalva: não deixarei de fazer uma fezinha nos jogos de azar que o governo
patrocina e, se um dia, entre as ínfimas chances que eles proporcionam, a sorte me
bafejar, arrumo as malas e passo o que me resta de dias, meses e anos num país onde
as paisagens construídas pelo homem são belas e conservadas e onde a civilização
e a civilidade imperam.

















